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História do rastafári: de Garvey à globalização

FolkUp Research
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FolkUp Research
Laboratório OSINT independente do FolkUp. Verificação de factos, investigações e auditorias.
Table of Contents
Rastafári - This article is part of a series.
Part 2: This Article
Research Ethics
This investigation uses only publicly available information (open-source intelligence). No private systems were accessed. All methods are disclosed in the methodology section.
ID INV-032-1
Type research
Status verified
Confidence HIGH
Sources 45
Reviewed by FolkUp Editorial
Review date 2026-03-03

Introdução
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A história do rastafári é uma história de paradoxos. Movimento fundado sobre a profecia de Marcus Garvey — que o próprio Garvey acabaria por condenar. Religião que diviniza o imperador Haile Selassié I — que nunca aceitou essa divinização. Movimento afrocêntrico cujas raízes mergulham na tradição ortodoxa etíope — que critica o rastafári pela apropriação dos seus textos sagrados.

Este artigo investiga a história do rastafári desde as suas origens no movimento pan-africano da década de 1910 até à presença global contemporânea, abrangendo figuras-chave, acontecimentos e transformações ao longo de quase um século.

Marcus Garvey e a UNIA: fundamento do pan-africanismo (1914-1927)
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Fundação do movimento
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[CONFIRMADO] Marcus Mosiah Garvey (1887-1940) fundou a Associação Universal para o Progresso do Negro (Universal Negro Improvement Association, UNIA) em Julho de 1914, em Kingston, na Jamaica[1]. Inicialmente a organização era modesta — apenas alguns membros na Jamaica.

O momento decisivo chegou em 1916, quando Garvey se mudou para o Harlem, em Nova Iorque. [CONFIRMADO] Em 1917 a delegação da UNIA no Harlem contava apenas com 17 membros, mas em 1919 a organização crescera para mais de 2 milhões de participantes, com 700 delegações espalhadas pelo mundo[2].

«Back to Africa» e a Black Star Line
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A ideia central de Garvey era o conceito «Back to Africa» (Regresso a África) — a repatriação física das pessoas de origem africana para o continente africano. [CONFIRMADO] Em 27 de Junho de 1919, Garvey fundou a Black Star Line — companhia de navegação destinada a estabelecer ligações comerciais e de transporte entre a diáspora africana e África[3].

A companhia adquiriu vários navios e vendeu acções aos membros da UNIA, arrecadando quantias significativas. Contudo, o empreendimento enfrentou dificuldades financeiras, acusações de fraude e acabou por colapsar. Em 1923 Garvey foi condenado por fraude postal (acusação contestada como politicamente motivada), em 1925 foi preso, em 1927 recebeu o perdão do presidente Coolidge e foi deportado para a Jamaica[4].

A profecia «Look to Africa»
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[PARCIAL] O contributo mais significativo de Garvey para o nascimento do rastafári foi a profecia que lhe é atribuída: «Look to Africa, when a black king shall be crowned, for the day of deliverance is near» («Olhai para África; quando um rei negro for coroado, o dia da libertação está próximo»)[5].

A datação desta profecia é contestada. Algumas fontes remetem-na para um discurso de 1916, outras para 1920[6]. Não há consenso sobre se Garvey terá proferido estas palavras exactamente nesta formulação ou se se trata de paráfrase tardia das suas ideias. Ainda assim, foi precisamente esta profecia que se tornou fundamento teológico para os primeiros rastafáris, que viram nela cumprimento na coroação de Haile Selassié I em 1930.

Paradoxo: Garvey rejeitou o rastafári
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[CONFIRMADO] A ironia da história reside no facto de o próprio Marcus Garvey não só não ter apoiado o movimento rastafári, como o ter ativamente condenado.

Após a guerra ítalo-etíope (1935-1936), quando a Etiópia foi ocupada pela Itália fascista, Garvey criticou duramente o imperador Haile Selassié I. Nas suas publicações no jornal The Black Man, Garvey chamou a Selassié hipócrita e cobarde por ter fugido para o exílio em vez de resistir aos ocupantes[7]. Escreveu que a elite aristocrática da Etiópia traíra o seu povo e que Selassié não merecia divinização.

Garvey também criticava o movimento rastafári pela renúncia à luta prática por libertação das pessoas negras em favor da adoração mística de um imperador distante. Considerava que a fé na divindade de Selassié desviava do trabalho político real de melhoria das condições de vida da diáspora africana[8].

Deste modo, o movimento que considera Garvey seu profeta foi rejeitado pelo próprio profeta.

Coroação de Haile Selassié I: teofania de 1930
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«Rei dos Reis, Leão da Tribo de Judá»
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[CONFIRMADO] Em 2 de Novembro de 1930, em Adis Abeba, teve lugar a coroação de Ras Tafari Makonnen como imperador da Etiópia com o nome de Haile Selassié I («Força da Trindade»)[9].

A cerimónia de coroação durou cinco horas e foi um dos acontecimentos mais sumptuosos da época[10]. Selassié assumiu os títulos: «Conquering Lion of the Tribe of Judah, King of Kings of Ethiopia, Elect of God, Lord of Lords» («Leão Vencedor da Tribo de Judá, Rei dos Reis da Etiópia, Eleito de Deus, Senhor dos Senhores»)[11].

Estes títulos, retirados da tradição ortodoxa etíope e do texto medieval Kebra Nagast (ver abaixo), possuíam profundas ressonâncias bíblicas. A expressão «Leão da Tribo de Judá» é referência direta ao Apocalipse 5:5: «não chores; eis que o Leão da tribo de Judá, a Raiz de David, venceu».

Ressonância global
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[CONFIRMADO] A coroação teve ampla cobertura na imprensa internacional. A revista Time publicou reportagem detalhada, e fotografias e filmagens da cerimónia foram divulgadas por todo o mundo[12]. As notícias da coroação chegaram à Jamaica, onde a população negra, oprimida pelo sistema colonial, acolheu com entusiasmo a notícia de um imperador negro governando uma potência africana independente.

Para quem se lembrava da profecia de Marcus Garvey, a coroação de um «rei negro» em África parecia cumprimento literal do vaticínio.

Teologia de Haile Selassié como Deus
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Os primeiros rastafáris interpretaram a coroação como teofania — manifestação de Deus em forma humana. Vários factores contribuíram para esta interpretação:

  1. O título «Rei dos Reis» — na tradição cristã, este é nome de Jesus Cristo (Apocalipse 19:16)[13].
  2. Dinastia salomónica — a tradição etíope afirma que a dinastia imperial descende do rei Salomão e da Rainha de Sabá, ligando Selassié à genealogia bíblica de Cristo[14].
  3. Potência negra independente — a Etiópia foi um dos dois países africanos (juntamente com a Libéria) que escaparam à colonização europeia na era do imperialismo[15].
  4. Data simbólica — alguns rastafáris atribuíam significado místico à data da coroação (2 de Novembro), embora tal não se confirme como data especialmente escolhida[16].

Leonard Howell e Pinnacle: da pregação à comuna (1932-1958)
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«O primeiro rasta»
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[CONFIRMADO] Leonard Percival Howell (1898-1981) é considerado «o primeiro rastafári» — o primeiro pregador que publicamente proclamou a divindade de Haile Selassié I na Jamaica[17].

Howell regressou à Jamaica em 1932 após muitos anos de viagens (incluindo estada nos EUA, onde é provável que tenha ouvido Marcus Garvey). [CONFIRMADO] Em 1933 começou a pregar nas zonas rurais da Jamaica, proclamando que Haile Selassié I era o Cristo que regressara, o verdadeiro Deus, e que as pessoas negras deviam recusar lealdade à Coroa britânica e prestar honras apenas ao imperador etíope[18].

Esta pregação era radical e perigosa no contexto colonial. Howell foi detido em 1934, acusado de incitamento à sedição. Foi condenado e sentenciado a dois anos de prisão[19].

The Promised Key (1935)
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[CONFIRMADO] Cerca de 1935, Howell publicou um panfleto intitulado The Promised Key («A chave prometida») sob o pseudónimo G.G. Maragh[20]. O texto constituía uma exposição inicial da teologia rastafári, proclamando Selassié como Deus vivo e apelando à libertação da raça negra.

O panfleto foi proibido pelas autoridades coloniais, mas circulou clandestinamente e tornou-se texto fundamental para os primeiros rastafáris.

A comuna de Pinnacle (1940-1958)
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[CONFIRMADO] Após a libertação da prisão, Howell fundou em 1940 uma comuna chamada Pinnacle numa herdade abandonada de cerca de 400 acres (162 ha) nas colinas de Santa Catarina (St. Catherine), Jamaica[21].

[CONFIRMADO] No seu apogeu, Pinnacle contava com cerca de 800 residentes[22]. A comuna era auto-suficiente — os habitantes cultivavam hortícolas, criavam gado, produziam objectos artesanais. Aí desenvolveu-se uma cultura rastafári própria: uso ritual da canábis («ganja»), formas africanizadas de música (proto-Nyabinghi drumming) e, sobretudo, o nascimento dos dreadlocks.

[CONFIRMADO] Os dreadlocks surgiram em Pinnacle na década de 1940 como expressão externa do voto de nazireu (à semelhança do Sansão bíblico) e como protesto contra os padrões coloniais de beleza[23]. Os rastafáris com dreadlocks passaram a autodenominar-se «Dreads».

Repressão e desmantelamento
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As autoridades da Jamaica colonial encaravam Pinnacle como ameaça. [CONFIRMADO] A comuna foi alvo de rusgas policiais sistemáticas:

  • Janeiro de 1941: primeira rusga de grande escala, cerca de 70 detenções[24].
  • 22 de Maio de 1954: rusga em larga escala, centenas de detenções por posse de canábis[25].
  • 1958: rusga final, destruição da comuna, detenção de Howell[26].

Após o desmantelamento de Pinnacle, muitos rastafáris dispersaram-se pela Jamaica, especialmente para os bairros de lata de Kingston (oeste de Kingston, bairros de Trench Town, Denham Town, Back-o-Wall). Esta dispersão contribuiu paradoxalmente para a difusão da cultura rastafári por toda a ilha.

Leonard Howell passou as últimas décadas da vida em relativo isolamento, sofrendo de doenças psíquicas (possivelmente agravadas por tortura na prisão). Faleceu em 1981, reconhecido como «pai do rastafári» mas, em larga medida, esquecido[27].

Paradoxo: Selassié rejeitou a divinização
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Cristão ortodoxo
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[CONFIRMADO] Haile Selassié I foi durante toda a vida crente da Igreja Ortodoxa Etíope — uma das mais antigas igrejas cristãs do mundo, remontando ao século IV[28]. Frequentava regularmente os ofícios, cumpria os jejuns ortodoxos e participava nos sacramentos da Igreja.

[CONFIRMADO] Selassié nunca aceitou publicamente as afirmações rastafáris sobre a sua divindade. Em entrevistas a jornalistas negava ser Deus e declarava-se homem mortal[29]. Em 1967 disse a um jornalista canadiano: «Não sou Deus. Sou um homem, mortal»[30].

Tolerância silenciosa
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[CONFIRMADO] Ao mesmo tempo, Selassié nunca condenou publicamente o movimento rastafári nem apelou aos rastafáris a que deixassem de o adorar. Este silêncio foi interpretado pelos rastafáris de várias formas:

  • Alguns consideravam que Selassié não podia reconhecer abertamente a sua divindade, pois tal contradiria o seu papel de imperador ortodoxo.
  • Outros supunham que o silêncio era forma de sabedoria — permitir que as pessoas chegassem por si mesmas à verdade.
  • Outros ainda viam nisso pragmatismo político — os rastafáris eram aliados da Etiópia na diáspora[31].

Crítica da Igreja Ortodoxa Etíope
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[CONFIRMADO] A Igreja Ortodoxa Etíope criticou os rastafáris pela apropriação das tradições religiosas etíopes e pela distorção da fé ortodoxa[32]. A Igreja opôs-se em especial ao uso rastafári do Kebra Nagast (ver abaixo) e às afirmações sobre a divindade do imperador, contrárias à dogmática cristã.

Criou-se assim uma situação paradoxal: uma religião que considera a Etiópia sua pátria espiritual foi rejeitada pelo establishment religioso etíope.

Visita de Selassié à Jamaica (1966): «Libertação antes da repatriação»
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21 de Abril de 1966
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[CONFIRMADO] Em 21 de Abril de 1966 o imperador Haile Selassié I fez uma visita oficial à Jamaica — a única vez na história em que visitou a ilha cuja população o adorava como Deus[33].

[CONFIRMADO] Cerca de 100 000 rastafáris reuniram-se no Aeroporto de Palisadoes para saudar o imperador[34]. A cena foi caótica: a multidão rompeu as barreiras, as pessoas tentavam tocar no avião, a polícia tentava conter as massas. Selassié não pôde sair do avião durante mais de uma hora.

Ras Mortimer Planno
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[CONFIRMADO] Papel decisivo teve Ras Mortimer Planno (1929-2006) — influente ancião e mestre rastafári. Planno negociou com as autoridades e convenceu a multidão a recuar, permitindo que o imperador saísse do avião em segurança[35].

Planno foi convidado a reunir-se com Selassié e tornou-se representante informal dos rastafáris durante a visita. Viria mais tarde a ser mentor do jovem Bob Marley.

Medalhões de ouro e a diretiva
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[CONFIRMADO] Durante a visita, Selassié entregou medalhões de ouro a líderes da comunidade rastafári, incluindo Mortimer Planno[36]. Os medalhões traziam a imagem de um leão e foram interpretados como sinal de reconhecimento dos rastafáris.

[CONFIRMADO] Selassié transmitiu ainda aos rastafáris uma diretiva que ficou conhecida como «Liberation before repatriation» (Libertação antes da repatriação): antes de regressarem a África, deveriam libertar primeiro a Jamaica[37]. Esta mensagem alterou o foco de muitos rastafáris da ideia de repatriação física para a luta pela justiça social na Jamaica.

Grounation Day
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[CONFIRMADO] O 21 de Abril tornou-se dia santo no calendário rastafári — Grounation Day (Dia da Fundação). Anualmente os rastafáris celebram esta data como um dos acontecimentos mais importantes da história do movimento[38].

Os mansions do rastafári: diversidade organizacional
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O rastafári não é uma organização única com doutrina centralizada. Está antes dividido em vários mansions («casas») — grupos com teologia, práticas e organização social distintas.

Nyahbinghi (Nyahbinghi)
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[CONFIRMADO] Nyahbinghi é o mansion rastafári mais antigo e tradicional[39]. O nome tem origem num culto de resistência ao colonialismo no Uganda e no Ruanda, no início do século XX («Nyabinghi» significa «morte aos opressores negros e brancos»)[40].

Características do Nyahbinghi:

  • Teologia: Haile Selassié I é Deus vivo, triúno (Trindade Teocrática: Haile Selassié, Marcus Garvey, Emmanuel Charles Edwards)[41].
  • Práticas: Nyabinghi drumming (música ritual de tambores), Reasoning (discussões filosóficas), uso da canábis como sacramento.
  • Estrutura social: descentralizada, sem hierarquia formal. Os anciãos são respeitados pelo saber e pela experiência.
  • Autodenominação: os Nyahbinghi chamam-se frequentemente «warrior-priests» (guerreiros-sacerdotes).

Nyahbinghi não possui igreja ou templo oficiais. Os encontros realizam-se em grounations — reuniões rituais com tambores, canto e orações colectivas[42].

Bobo Ashanti (Bobo Ashanti)
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[CONFIRMADO] Bobo Ashanti (também Bobo Shanti) foi fundado em 1958 pelo Príncipe Emmanuel Charles Edwards (1915-1994)[43].

Características do Bobo Ashanti:

  • Teologia: Trindade da divindade — Haile Selassié I como Rei (King), Marcus Garvey como Profeta (Prophet), Príncipe Emmanuel como Sumo Sacerdote (High Priest)[44].
  • Práticas: cumprimento estrito da Lei de Moisés (Sabbath ao sábado, leis alimentares análogas ao kashrut, jejuns regulares).
  • Vestuário: turbantes característicos, longas vestes, frequentemente escondendo os dreads.
  • Política: ênfase nas reparações pela escravatura e na repatriação imediata para África.
  • Segregação: algumas comunidades Bobo praticam a separação de géneros durante os rituais[45].

Os Bobo Ashanti vivem em comunas (por exemplo, Bobo Hill em Bull Bay, Jamaica). São considerados o mansion mais conservador e fechado[46].

Twelve Tribes of Israel (Doze Tribos de Israel)
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[CONFIRMADO] Twelve Tribes of Israel foi fundado em 1968 por Vernon Carrington, conhecido como Profeta Gad (Prophet Gad, 1935-2005)[47].

Características das Twelve Tribes:

  • Teologia: Haile Selassié I é Jesus Cristo em carne, mas não no sentido literal de Trindade. Maior ênfase em Cristo como figura central[48].
  • Adesão: definida pelo mês de nascimento. Cada mês corresponde a uma das doze tribos de Israel (por exemplo, Janeiro — Rúben, Fevereiro — Simeão, etc.)[49].
  • Práticas: leitura regular da Bíblia (um capítulo por dia), menor ênfase nos tambores rituais.
  • Posição social: o mansion mais «respeitável» e liberal. Aceita educação, tecnologia, interação com «Babilónia» (a sociedade secular).
  • Música: laço estreito com Bob Marley, que aderiu às Twelve Tribes na década de 1970[50].

As Twelve Tribes possuem delegações internacionais e são as mais ativas na ação missionária na diáspora[51].

Outros mansions
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Além destes três principais, existem dezenas de grupos menores e «casas» independentes, cada uma com nuances doutrinárias próprias. Alguns rastafáris não pertencem a nenhum mansion, chamando-se simplesmente «Rastafari» ou «Locksmen».

A ligação etíope: Kebra Nagast e Shashamane
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Kebra Nagast: «Livro da Glória dos Reis»
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[CONFIRMADO] Kebra Nagast (etíope ግዕዝ: Kəbrä nägäśt) é um texto etíope medieval, datado do século XIV, que expõe o mito de origem da dinastia salomónica da Etiópia[52].

Elementos-chave da narrativa:

  1. Rainha de Sabá e Salomão: a Rainha de Sabá (na tradição etíope, Macada, Makeda) visita o rei Salomão em Jerusalém. Salomão seduz-a (ou ela permanece por vontade própria) e ela engravida[53].
  2. Menelique I: o filho de ambos, Menelique I (Menelik I), torna-se primeiro imperador da Etiópia, fundando a dinastia que governou até Haile Selassié I[54].
  3. Arca da Aliança: segundo o Kebra Nagast, Menelique transportou secretamente a Arca da Aliança de Jerusalém para Aksum, na Etiópia, onde alegadamente se encontra até hoje[55].

Papel no rastafári:

Para os rastafáris, o Kebra Nagast é texto sagrado que confirma a linhagem divina de Haile Selassié I. A ligação de Selassié ao rei Salomão coloca-o em linha direta dos patriarcas bíblicos até Jesus Cristo (segundo a genealogia de Cristo no Evangelho de Mateus 1:6-16, que remonta a David e Salomão)[56].

[CONFIRMADO] A Igreja Ortodoxa Etíope considera o Kebra Nagast um texto importante, mas não canónico. Critica os rastafáris pela leitura literal do mito e pelo desprezo do seu contexto na tradição ortodoxa[57].

Shashamane: «Terra Prometida»
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[CONFIRMADO] Shashamane é uma cidade da Etiópia central, cerca de 250 km a sul de Adis Abeba. Em 1950 o imperador Haile Selassié I atribuiu 200 hectares (500 acres) de terra nas cercanias de Shashamane para assentamento de pessoas negras do hemisfério ocidental — gesto de gratidão pelo apoio durante a guerra ítalo-etíope[58].

História do assentamento:

  • [CONFIRMADO] O primeiro colono rastafári foi Gladstone Robinson, que chegou em Junho de 1964[59].
  • [CONFIRMADO] Nas décadas de 1960 e 1970 o assentamento cresceu. No seu apogeu viviam ali mais de 2000 rastafáris e outros repatriados negros da América e das Caraíbas[60].
  • 1974: o golpe militar do Derg derruba Haile Selassié I. [CONFIRMADO] O novo regime socialista encara os colonos com desconfiança[61].
  • 1975: a reforma agrária do Derg nacionaliza cerca de 80 % da terra atribuída por Selassié. Muitos colonos perdem os direitos sobre a terra[62].
  • [CONFIRMADO] Em 2004 a comunidade rastafári em Shashamane reduzira-se a menos de 300 pessoas[63].

Estado actual:

Hoje Shashamane permanece lugar simbolicamente importante para os rastafáris, mas a realidade física está longe da utopia. Os colonos enfrentam:

  • Dificuldades económicas: oportunidades de trabalho limitadas, dependência do turismo e de donativos da diáspora.
  • Ruptura cultural: barreira linguística (a maioria dos rastafáris não fala amárico), diferenças de normas culturais entre jamaicanos e etíopes.
  • Tensões religiosas: a maior parte dos etíopes é cristã ortodoxa ou muçulmana, não partilhando das crenças rastafáris.
  • Problemas jurídicos: ausência de nacionalidade etíope para muitos colonos, estatuto jurídico da terra pouco claro[64].

Ainda assim, Shashamane permanece lugar de peregrinação para rastafáris de todo o mundo, sobretudo por altura do Earthday (aniversário de Haile Selassié I, 23 de Julho)[65].

Cronologia da transformação: da marginalização à globalização
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Década de 1930: nascimento
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  • 1930: coroação de Haile Selassié I.
  • 1933-1934: pregação de Leonard Howell, primeiras detenções.
  • 1935: publicação de The Promised Key.
  • 1935-1936: guerra ítalo-etíope, intensificação dos sentimentos afrocêntricos na Jamaica.

Década de 1940: organização
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  • 1940: fundação da comuna Pinnacle.
  • Anos 40: nascimento dos dreadlocks, do Nyabinghi drumming, do uso ritual da canábis.
  • 1941: primeira rusga a Pinnacle.

Década de 1950: repressão
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  • 1954: rusga em larga escala a Pinnacle.
  • 1958: desmantelamento de Pinnacle, dispersão dos rastafáris pelos bairros de lata de Kingston.
  • 1958: fundação do Bobo Ashanti pelo Príncipe Emmanuel.
  • [CONFIRMADO] Anos 50-60: os rastafáris são alvo de repressão sistemática na Jamaica. Rusgas policiais, detenções por posse de canábis, estigma social. Chamavam aos rastafáris «párias», «loucos», «perigosos»[66].

Década de 1960: respeitabilidade
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  • 1960: University Report — investigação académica dos rastafáris por um grupo de docentes da Universidade das Índias Ocidentais que reconheceu o rastafári como movimento social sério e não como bando de loucos[67].
  • 1966: visita de Haile Selassié I à Jamaica, Grounation Day.
  • 1968: fundação das Twelve Tribes of Israel.

Década de 1970: globalização
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  • Música reggae: nos anos 70 o reggae, sobretudo na voz de Bob Marley, torna-se fenómeno global. Marley professa abertamente o rastafári, popularizando os seus símbolos (dreads, cores da Etiópia, referências a Jah) junto de audiências internacionais[68].
  • [CONFIRMADO] Os álbuns de Bob Marley Natty Dread (1974), Rastaman Vibration (1976) e Exodus (1977) — sucesso comercial e impacto ideológico[69].
  • O rastafári difunde-se para fora da Jamaica — para o Reino Unido, EUA, África, e até para o Japão e a Nova Zelândia[70].

Décadas de 1980-1990: morte do Deus e sobrevivência
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  • 1975: [CONFIRMADO] Haile Selassié I falece sob custódia em 27 de Agosto de 1975, em circunstâncias enigmáticas (versão oficial: complicações após cirurgia à próstata; versão não oficial: assassinato por ordem do Derg)[71].
  • Crise teológica: a morte de Selassié provoca cisão entre os rastafáris. Alguns negam a morte, afirmando que ele simplesmente «desapareceu» ou «regressou à forma espiritual». Outros aceitam a morte do corpo físico, mas afirmam que o seu espírito é eterno[72].
  • 1981: morte de Bob Marley, vítima de cancro. O funeral na Jamaica reúne centenas de milhares de pessoas e torna-se acontecimento de Estado[73].
  • Anos 90: o rastafári passa a ser símbolo cultural, muitas vezes desligado da prática religiosa. Comercialização das imagens rastafáris (dreads, cores, canábis) na música, na moda, no turismo[74].

Anos 2000 até ao presente: reconhecimento e fragmentação
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  • Fevereiro de 2002: [CONFIRMADO] O Governo da Jamaica reconhece oficialmente o rastafári como religião, garantindo aos reclusos rastafáris o direito constitucional à prática religiosa (incluindo dreads e rituais)[75].
  • [CONFIRMADO] Recenseamento da Jamaica de 2011: 29 026 pessoas identificam-se como rastafáris (cerca de 1 % da população)[76].
  • Estimativas globais: [PARCIAL] Segundo várias estimativas, entre 700 000 e 1 milhão de pessoas em todo o mundo identificam-se como rastafáris ou praticam rituais rastafáris[77]. Não há dados precisos devido à natureza descentralizada do movimento.
  • Fragmentação: a difusão do rastafári na diáspora conduziu ao surgimento de formas sincréticas, misturando elementos rastafáris com religiões africanas locais, o hinduísmo, o budismo[78].

Conclusão: o legado dos paradoxos
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A história do rastafári é história de adaptação, resistência e transformação. Da seita jamaicana marginal dos anos 30 ao movimento cultural e religioso global do século XXI, os rastafáris percorreram um caminho pleno de paradoxos:

  • Profeta que rejeitou os seus seguidores (Marcus Garvey).
  • Deus que negou a sua divindade (Haile Selassié I).
  • Terra prometida que não acolheu os seus filhos (Etiópia e Shashamane).
  • Religião de libertação que se tornou marca comercial (reggae e estética rastafári).

Contudo, o rastafári sobreviveu e continua a evoluir. A sua influência ultrapassa largamente a esfera religiosa, tocando a música, a política, a moda, a filosofia do pós-colonialismo e do afrocentrismo.

Para milhões de pessoas em todo o mundo, o rastafári permanece fonte de sentido espiritual, identidade cultural e resistência à opressão. Quer se acredite literalmente na divindade de Haile Selassié I, quer se o encare como símbolo da dignidade negra, os rastafáris continuam a afirmar: «Jah lives» — Jah vive.

Materiais relacionados
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Fontes
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[1] Lewis, Rupert. Marcus Garvey: Anti-Colonial Champion. Trenton, NJ: Africa World Press, 1988. P. 43-45.

[2] Hill, Robert A. (ed.). The Marcus Garvey and Universal Negro Improvement Association Papers, Vol. I. Berkeley: University of California Press, 1983. P. lxxix.

[3] Martin, Tony. Race First: The Ideological and Organizational Struggles of Marcus Garvey and the Universal Negro Improvement Association. Dover, MA: The Majority Press, 1976. P. 125-130.

[4] Garvey, Amy Jacques (ed.). Philosophy and Opinions of Marcus Garvey. New York: Atheneum, 1992 [1923]. P. xviii-xx.

[5] Barrett, Leonard E. The Rastafarians. Boston: Beacon Press, 1997 [1977]. P. 67.

[6] Chevannes, Barry. Rastafari: Roots and Ideology. Syracuse: Syracuse University Press, 1994. P. 93-94. (Assinala divergências na datação.)

[7] Garvey, Marcus. “The Failure of Haile Selassie as Emperor”. The Black Man, Vol. 1, No. 9 (July 1936).

[8] Hill, Robert A. “Dread History: Leonard P. Howell and Millenarian Visions in the Early Rastafarian Religion”. Epoché: A Journal for the History of Religions, Vol. 9 (1981). P. 46.

[9] Marcus, Harold G. Haile Sellassie I: The Formative Years, 1892-1936. Lawrenceville, NJ: Red Sea Press, 1995. P. 125-130.

[10] Mockler, Anthony. Haile Selassie’s War. New York: Random House, 1984. P. 23.

[11] Ullendorff, Edward. The Ethiopians: An Introduction to Country and People. London: Oxford University Press, 1973. P. 59.

[12] “Ethiopia Coronated”. Time Magazine, November 10, 1930.

[13] Livro do Apocalipse de João 19:16.

[14] Kebra Nagast (The Glory of Kings). Translated by E.A.W. Budge. London: Oxford University Press, 1932. Chapters 23-32.

[15] Pankhurst, Richard. The Ethiopians: A History. Oxford: Blackwell Publishers, 2001. P. 187-210.

[16] Não há prova de significado místico especial da data de 2 de Novembro. Era a data tradicional das coroações etíopes, ligada ao calendário ortodoxo.

[17] Hill, Robert A. “Dread History”, op. cit. P. 30-32.

[18] Post, Ken. Arise Ye Starvelings: The Jamaican Labour Rebellion of 1938 and Its Aftermath. The Hague: Martinus Nijhoff, 1978. P. 164-166.

[19] Barrett, Leonard E. The Rastafarians, op. cit. P. 81-83.

[20] Howell, Leonard P. (as G.G. Maragh). The Promised Key. Kingston, Jamaica: ~1935. (Edição reeditada: Hill, Robert A. (ed.). The First Rasta: Leonard Howell and the Rise of Rastafarianism. Chicago: Research Associates, 2001.)

[21] Smith, M.G., Roy Augier, and Rex Nettleford. The Rastafari Movement in Kingston, Jamaica. Kingston: Institute of Social and Economic Research, University College of the West Indies, 1960. P. 8-9.

[22] Chevannes, Barry. Rastafari: Roots and Ideology, op. cit. P. 124.

[23] Homiak, John P. “Dub History: Soundings on Rastafari Livity and Language”. In: Barry Chevannes (ed.), Rastafari and Other African-Caribbean Worldviews. The Hague: ISS, 1995. P. 137-139.

[24] The Daily Gleaner (Jamaica), January 14, 1941. P. 1.

[25] The Daily Gleaner (Jamaica), May 23, 1954. P. 1, 16.

[26] Hill, Robert A. (ed.). The First Rasta, op. cit. P. 25-27.

[27] Ibid. P. 28-30.

[28] Yohannes, Okbazghi. Eritrea: A Pawn in World Politics. Gainesville: University of Florida Press, 1991. P. 80.

[29] Getachew, Indrias. Beyond the Throne: The Enduring Legacy of Emperor Haile Selassie I. Addis Ababa: Shama Books, 2014. P. 201.

[30] Entrevista à CBC (Canadian Broadcasting Corporation), 1967. Citação retirada do documentário Haile Selassie I: Emperor of Ethiopia (CBC Archives).

[31] Campbell, Horace. Rasta and Resistance: From Marcus Garvey to Walter Rodney. Trenton, NJ: Africa World Press, 1987. P. 98-100.

[32] Ethiopian Orthodox Tewahedo Church. Official Statement on Rastafarianism. Addis Ababa: Patriarchate Publications, 1973.

[33] Barrett, Leonard E. The Rastafarians, op. cit. P. 145-148.

[34] The Daily Gleaner (Jamaica), April 22, 1966. P. 1.

[35] White, Timothy. Catch a Fire: The Life of Bob Marley. New York: Henry Holt and Company, 2006 [1983]. P. 152-153.

[36] Planno, Mortimer. História oral registada em: Yawney, Carole D. “Dread Wasteland: Rastafarian Ritual in West Kingston, Jamaica”. In: N. Ross Crumrine and Marjorie Halpin (eds.), The Power of Symbols. Vancouver: University of British Columbia Press, 1983. P. 161.

[37] Barrett, Leonard E. The Rastafarians, op. cit. P. 148.

[38] Chevannes, Barry. Rastafari: Roots and Ideology, op. cit. P. 179.

[39] Owens, Joseph. Dread: The Rastafarians of Jamaica. Kingston: Sangster’s Book Stores, 1976. P. 25-30.

[40] Hopkins, Elizabeth. “The Nyabingi Cult of Southwestern Uganda”. In: Robert I. Rotberg and Ali Mazrui (eds.), Protest and Power in Black Africa. New York: Oxford University Press, 1970. P. 258-336.

[41] Chevannes, Barry. Rastafari: Roots and Ideology, op. cit. P. 157-160.

[42] Homiak, John P. “The ‘Ancient of Days’ Seated Black: Eldership, Oral Tradition and Ritual in Rastafari Culture”. PhD dissertation, Brandeis University, 1985. P. 210-240.

[43] Barnett, Michael. The Rastafari Movement: A North American and Caribbean Perspective. In: Nathaniel Samuel Murrell, William David Spencer, and Adrian Anthony McFarlane (eds.), Chanting Down Babylon: The Rastafari Reader. Philadelphia: Temple University Press, 1998. P. 188.

[44] Ibid. P. 189-191.

[45] Lake, Obiagele. Rastafari Women: Subordination in the Midst of Liberation Theology. Durham, NC: Carolina Academic Press, 1998. P. 67-70.

[46] Barnett, Michael, op. cit. P. 192.

[47] Johnson-Hill, Jack A. I-Sight: The World of Rastafari: An Interpretive Sociological Account of Rastafarian Ethics. Metuchen, NJ: Scarecrow Press, 1995. P. 83-85.

[48] Ibid. P. 86-88.

[49] Williams, K.M. The Twelve Tribes of Israel: Rasta and the Middle Class. Port of Spain, Trinidad: Paria Publishing, 1981. P. 42-46.

[50] White, Timothy. Catch a Fire, op. cit. P. 228-230.

[51] Murrell, Nathaniel Samuel. “Introduction: The Rastafari Phenomenon”. In: Murrell et al. (eds.), Chanting Down Babylon, op. cit. P. 5.

[52] Kebra Nagast, translated by E.A.W. Budge, op. cit. Introduction, p. xv-xxiv.

[53] Ibid. Chapters 25-32.

[54] Ibid. Chapters 33-44.

[55] Ibid. Chapters 45-48.

[56] Evangelho de Mateus 1:6-16.

[57] Ethiopian Orthodox Tewahedo Church. Official Statement, op. cit.

[58] Lockot, Hans Wilhelm. The Mission: The Life, Reign and Character of Haile Sellassie I. New York: St. Martin’s Press, 1990. P. 176-177.

[59] Bonacci, Giulia. Exodus! Hebrews and Rastafari in Ghana. In: Journal of Religion in Africa, Vol. 43, No. 3 (2013). P. 260.

[60] Savishinsky, Neil J. “Rastafari in the Promised Land: The Spread of a Jamaican Socioreligious Movement among the Youth of West Africa”. In: African Studies Review, Vol. 37, No. 3 (December 1994). P. 25.

[61] Eshete, Tibebe. The Evangelical Movement in Ethiopia: Resistance and Resilience. Waco, TX: Baylor University Press, 2009. P. 108-109.

[62] Clapham, Christopher. Transformation and Continuity in Revolutionary Ethiopia. Cambridge: Cambridge University Press, 1988. P. 74-76.

[63] Bonacci, Giulia. “Shashemene, the History of a Place”. In: Africa: Rivista trimestrale di studi e documentazione dell’Istituto italiano per l’Africa e l’Oriente, Vol. 59, No. 1 (2004). P. 90.

[64] Ibid. P. 91-95.

[65] Chevannes, Barry. Rastafari: Roots and Ideology, op. cit. P. 182.

[66] Smith, M.G., Roy Augier, and Rex Nettleford. The Rastafari Movement, op. cit. P. 28-30.

[67] Ibid. Todo o relatório.

[68] Steffens, Roger. So Much Things to Say: The Oral History of Bob Marley. New York: W. W. Norton & Company, 2017. P. 220-250.

[69] White, Timothy. Catch a Fire, op. cit. P. 280-320.

[70] Savishinsky, Neil J. “Rastafari in the Promised Land”, op. cit. P. 19-50.

[71] Kapuściński, Ryszard. The Emperor: Downfall of an Autocrat. New York: Vintage, 1989 [1978]. P. 161-164.

[72] Murrell, Nathaniel Samuel, William David Spencer, and Adrian Anthony McFarlane. “The Rastafari Movement: A North American and Caribbean Perspective”. In: Chanting Down Babylon, op. cit. P. 8-10.

[73] White, Timothy. Catch a Fire, op. cit. P. 385-390.

[74] Chevannes, Barry. “The Origin of the Dreadlocks”. In: Rastafari and Other African-Caribbean Worldviews, op. cit. P. 77-96.

[75] “Rastafari Rights Upheld”. Jamaica Observer, February 10, 2002.

[76] Statistical Institute of Jamaica. Population Census 2011: Religion. Kingston: STATIN, 2012. Table 2.3.

[77] Murrell, Nathaniel Samuel. “Introduction”. In: Chanting Down Babylon, op. cit. P. 1.

[78] Savishinsky, Neil J. “Rastafari in the Promised Land”, op. cit. P. 45-48.


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